A Alegria em Ficar de Fora: o convite de André Carvalhal pra desconectar sem culpa
Você já sentiu aquele aperto no peito ao ver, pelo Instagram, uma festa que você não foi convidado? Isso tem nome: FOMO, a sigla em inglês pra "medo de ficar de fora". É exatamente esse sentimento que André Carvalhal decide desmontar em A Alegria em Ficar de Fora, lançado em 2025 numa parceria inédita entre os selos Coquetel e Agir, do Grupo Ediouro.
Você já sentiu aquele aperto no peito ao ver, pelo Instagram, uma festa que você não foi convidado? Isso tem nome: FOMO, a sigla em inglês pra “medo de ficar de fora”. É exatamente esse sentimento que André Carvalhal decide desmontar em A Alegria em Ficar de Fora , lançado em 2025 numa parceria inédita entre os selos Coquetel e Agir, do Grupo Ediouro. Do FOMO ao JOMO O livro contrapõe o FOMO ao conceito de JOMO — “joy of missing out”, o prazer de se desconectar. Em vez de tratar a desconexão digital como perda ou punição, Carvalhal propõe encará-la como uma forma legítima de prazer: a alegria genuína de estar presente no momento, sem a ansiedade constante de checar o celular pra ver o que está acontecendo em outro lugar. Mais do que um detox digital O próprio autor faz questão de deixar claro que o livro não é um manual raso de “largue o celular por 24 horas”. A proposta é mais ampla: encontrar equilíbrio real entre vida online e offline, entre trabalho e descanso, através do que realmente importa — vínculos genuínos, presença, contato com a natureza e autenticidade. Quando o próprio bem-estar vira performance Um dos pontos mais interessantes do livro é o alerta sobre um fenômeno pouco discutido: práticas associadas ao bem-estar — corrida, yoga, meditação, até uma simples pausa pra tomar um café — podem virar armadilhas de performance quando seguem a mesma lógica de desempenho e comparação do mundo digital. Nesse cenário, até o descanso passa a ser medido em produtividade e engajamento, gerando culpa e a sensação de que nunca é o suficiente. Um formato interativo, não só teórico Fugindo do formato tradicional de livro de não ficção, A Alegria em Ficar de Fora combina ensaios baseados em vivências pessoais, casos reais e estudos científicos com uma experiência de leitura mais interativa: ao final de cada capítulo, o leitor encontra jogos e atividades analógicas, com ilustrações que reforçam o convite pra sair da tela por um momento — inclusive enquanto lê sobre o próprio assunto. Por que essa parceria entre Coquetel e Agir faz sentido Não é coincidência que o livro tenha nascido de uma união entre os dois selos. A Coquetel domina a arte de criar passatempos e atividades analógicas há décadas; a Agir traz sua tradição em não ficção reflexiva. Juntas, as duas frentes criaram um livro que não fica só na teoria: convida o leitor a literalmente colocar em prática, no papel, o que está lendo sobre desconexão. Para quem é esse livro Se você se pega checando notificações antes mesmo de acordar direito, ou sente uma ansiedade difícil de nomear toda vez que fica sem internet, esse livro fala diretamente com você. Mais do que uma crítica à tecnologia, é um convite pra redescobrir o prazer de simplesmente estar — sem a pressão constante de estar em todo lugar ao mesmo tempo.